A Lousa



Ontem à noite tive um sonho, acordei fazendo parte de uma comunidade; segundo o Aurélio “comunidade é um grupo de pessoas submetidas a uma mesma regra”, podendo variar entre: grupo social, econômico, esportivo, lazer, religioso e outros, onde por características comuns a todos os integrantes é possível viver em Comum-Unidade (comunidade).
E como em todo sonho acabei misturando Real, Imaginário e Vontade, entre o que vivemos o que queremos viver e o que se deveria viver.
Neste caso em especial se tratava de uma comunidade religiosa, mas poderia ser qualquer outra, pois o centro do sonho convergia para a vaidade que há em todos nós e influenciado por ser professor a figura da lousa tem o papel de revelar esta vaidade, vou então relatar meu sonho.
Minha comunidade era grande e se subdividia em pequenos grupos, denominados de pastorais, para realizar com maior eficácia suas funções, os componentes destas pastorais se integravam por afinidade à função por ela exercida, sendo assim cada pessoa tinha total liberdade para conhecer as diferentes funções e poder escolher com alegria a forma de contribuir na comunidade. Sabendo-se que o trabalho de todos os grupos, deve ser neste caso no sentido de provocar e produzir AMOR. Devemos também considerar que tem um grande numero de participantes da comunidade, que ainda não se sente provocada a participar destas pastorais, os motivos podem ser muitos, mas certamente um deles, é que cada pastoral é muitas vezes ineficiente em comunicar de forma concreta suas ações.
Pensando nisso uma pastoral pediu ao padre para colocar uma lousa, onde colocariam de forma clara seus comunicados e ações, o padre aceitou e a lousa foi colocada em local apropriado e aquela ação gerou por um período bons resultados. Outras pastorais, não querendo ficar para traz criaram suas formas de visualização (cartazes, panfletos, jornais, projeções, encontros, etc.) e também estas ações por algum tempo geraram bons resultados.
Tendo sentido que estes movimentos geravam resultado, mas que por um impulso humano, também gerou uma espécie de competição entre os grupos, que provocou alguns exageros da parte dos mais usados, que deixaram de lado as regras de bem comum e a indignação de alguns membros mais antigos que utilizavam sempre o mesmo argumento “estou aqui a x anos e sempre foi assim” o padre optou por padronizar o formato, material e cor da louça, pensando em valorizar o conteúdo (sabemos que isso limita a criatividade, que só o conteúdo sem a forma adequada tem uma projeção limitada), mas foi o que poderia ser feito nesse momento (na visão do padre).
Então os egos e vaidades que vinham sendo alimentados e agora limitados provocaram a mesma reação que tirar um brinquedo de uma criança, “não brinco mais” e pudemos ver adultos fazendo biquinho, lagrimas, sentimentos de vingança, demonstrações de poder, acusações e vitimas e o padre que um dia foi amado podia sentir o gosto de vinagre e fel que antecedia sua crucificação. Alguns resistiram outros não e há aqueles que sempre tiram proveito das crises mediando sempre, para ficar pero daqueles que acreditam ter mais forças, mas se escondem em suas sombras ou não descem do muro.
Uma vês passada a crise chegou a hora de trabalhar nas novas lousas e então cada pastoral criou regras para escrever na lousa:
·       Só podem escrever aqueles que tenham letra espetacular.
·       Só podem escrever os que tenham português correto.
·       Só podem escrever os que estudem teologia.
·       Só podem escrever casais com filhos.
·       Só podem escrever os que entendem a palavra de Deus.
·       Só podem escrever os que sabem latim ou italiano.
·       Só podem escrever os que tiveram uma experiência pessoal com Deus.
·       Só podem escrever os que estão a x anos na comunidade.
·       Só podem escrever os que têm titulo universitário.
·       Só podem escrever os...................... (e muitas outras regras que ao invés de somar talentos, limitava a participação apenas a alguns poucos).

Foi quando acordei e infelizmente não pude ver escrito a única regra importante:
  • Só podem escrever aqueles que estão dispostos a AMAR.

Um dia compreenderemos que o amor tem conteúdo e forma, e que só pode ser multiplicado quando dividido.



Prof Cláudio Ramirez. 
dezembro de 07