Bem me quer? Mau me quer!



Branco, apenas vejo branco, enquanto puxo cada pétala da margarida, que não tem culpa, mas paga com sua vida, minha falta de valor, que é capaz de destruir a beleza, só para afirmar um ego que se protege numa brincadeira com cara de jogo de azar, onde a única que perde é a margarida, que tem que responder aquilo que espero, pois caso o ego não ficar satisfeito haverá outra vítima e outra e mais outra, até saciar a fome da fera que habita em mim.
Disfarço dizendo que é apenas uma brincadeira de criança, mas não convenço nem a mim nem a margarida, então falo para ela que é assim mesmo, que uns tem que sofrer para a felicidade de outros, e me torno um Robin Hood emocional, que rouba dos ricos para dar aos pobres, e então percebo a riqueza da margarida perto da minha pobreza, e num lampejo descubro que roubar-lhe a riqueza não me deixa menos pobre, mas contemplar sua beleza enriquece meu ser e me faz sentir amado por Deus.

Jun/2008
Cláudio A.G. Ramirez