Você sabe, qual é O SEGREDO?



Algumas pessoas que considerava “inteligentes” e outras nem tanto, me recomendaram “o filme do momento”, levando em conta o entusiasmo e o brilho no olhar que provocava o simples fato de mencionar o título “THE SECRET”, eu cedi, assisti e sobrevivi.
Nas próximas linhas, convido você a participar da opinião de um sobrevivente (no caso eu) embora com alguns efeitos colaterais, pois é quase impossível controlar a queima de neurônios. Mas ainda consigo levar uma colher de sopa à boca sem derramar!
Vou preferir usar a tradução “O SEGREDO”, pois devido a nossa cultura colonialista, tendemos a valorizar títulos estrangeiros, então LET`S SEE.
O título é perfeito, nada desperta mais nossos instintos, que deslumbrar a possibilidade de conhecer algo reservado a poucos, pois nos sentimos valorizados e poderosos. Aquilo que realizaremos com essa informação depende da competência de cada um. Assim o filme inicia atribuindo a personagens notáveis e competentes em suas áreas, o conhecimento do tal segredo como se fosse sagrado, infelizmente nenhum dos mencionados pode confirmar o fato da existência de tal segredo, pelo simples fato de serem todos falecidos.
A idéia central é antiga, mas foi restaurada, reformada e renomeado “LEI DA ATRAÇÃO” onde o centro imantador é você e tudo aquilo que escolher será atraído, sem esforço, basta desejar que o poder se manifesta. Veja a centralização do poder e o jogo de palavras “LEI, ATRAÇÃO, DESEJO, PODER”, palavras como “ESFORÇO, TRABALHO, DEDICAÇÃO, ESTUDO, COMPROMETIMENTO, RESPONSABILIDADE etc”, não aparecem, a não ser direcionado ao objeto de desejo, nunca ao aprimoramento da vida humana, mas ancorando a felicidade ao ter nunca ao ser. Imagine uma criança dizendo a outra “eu tenho você não tem”, este comportamento infantil se explica, mas tente imaginar um adulto com tal comportamento (que baixa auto-estima, coitado). Digo que a idéia é antiga, pois já teve outros nomes, “FORÇA DA MENTE, PENSAMENTO POSSITIVO, PROJEÇÃO DE FUTURO etc” e todas essas nomenclaturas tiveram adeptos.
Mas o pior ainda estava por vir. Para dar sustentabilidade a idéia foi introduzida a figura de um deus, com uma alusão ao conto de Aladim, basta esfregar a lâmpada que o gênio aparece, só que este deus em questão não se limita a três desejos, os desejos são infinitos, pois ele nunca diz não, pelo contrário sempre responde “SEU DESEJO É UMA ORDEM” basta pedir, ninguém interfere ou crítica, caso você deseje algo que irá se arrepender é só pedir para desfazer o pedido, sem compromisso ou responsabilidade.
Um deus que se deixa aprisionar e manipular, sem o direito de um deus, apenas criado para satisfazer desejos que aparece apenas quando solicitado.
E ainda para adaptar ao dia a dia um homem diz que, sempre encontra vaga para estacionar, que é um dos problemas mais comuns a todos nós, mas para este homem basta pensar que sua vaga estará lá e sempre está onde ele quer.
Partindo deste caso elementar podemos considerar que todo aquele que está preocupado em estacionar, sairá de casa com tempo adequado e terá a possibilidade de encontrar vaga com maior facilidade ou encontrará desculpas e respostas para não perder o reconhecimento dos outros, que ele considera importante.
Sei que este tipo de artigo, não raramente tem efeito contrário, mas caso você se sinta instigado a assistir o filme (espero que não, tente resistir) espero ter contribuído de alguma forma a evitar  danos maiores. Mas caso já tenha assistido, você pode concordar ou discordar de mim, mas agradeço o fato de ainda conseguir ler este artigo.
Mas como de tudo podemos tirar boas lições, podemos concluir que não há segredo, pois Ele está disponível a todos, não realiza nossos desejos, mas, nos possibilita uma vida plena suprindo nossas necessidades, nos conduz a uma vida de doação ao próximo, não precisa de nós, mas se faz precisar para nos guiar e santificar. É este Deus que não infantiliza, mas te carrega no colo e você sem medo pode confiar, se abandonar no seu amor, é esse Deus que te valoriza pelo que você é.
A dependência de Deus é a certeza da felicidade, mas lembremos que:

“SÓ TEMOS DIREITO DE PEDIR O IMPOSSÍVEL, QUANDO JÁ FIZEMOS TUDO O QUE ERA POSSÍVEL”

Prof Cláudio Ramirez. 
dezembro de 07

Devemos comprar Amor!!!



Neste último domingo assisti perplexo uma reportagem, num famoso programa de final de noite, aquele que sua música da friozinho na barriga, na eminência da segunda feira mas foi amenizado pois, segunda seria feriado. Pois é, eu sou como a maioria das pessoas, que via de regra, não quer questionar e prefere aceitar que outras pessoas pensem é mais fácil e cômodo, ainda mais domingo a noite!, Mais passado dois dias, não consigo pensar em outra coisa e quero dividir com você.
Uma “escritora” americana “especialista” em livros de economia para crianças, lançou seu último livro, onde estimula o pagamento de salário aos filhos, por serviços prestados em casa, justificando que assim eles aprendem desde cedo (a partir de três anos) o “VALOR das COISAS” e na seqüência mostra crianças administrando seus ganhos de forma correta; de fato aprender como administrar o dinheiro é necessário e útil para se tornar um adulto equilibrado e próspero, mas é diferente aprender a administrar do que aprender a ganhar.
Há uma diferença vital entre VALOR e PREÇO. Tudo aquilo que pode ser comprado tem preço e tudo que é vital tem VALOR, portanto falar em valor das coisas é um erro, pois coisas têm preço.
Qual será o preço de um sorriso seguido de um abraço de mãe? porque o(s) filho(a)(s) arrumam a mesa no fim do dia para ajudar, ou pegar um copo de água para o pai? sem esperar nada alem de um beijo barulhento e cosquinhas no pescoço.
Qual será o preço por colocar a roupa suja no cesto? ou levar seu próprio prato até a pia? ou ainda se empenhar nos estudos? para valorizar o esforço dos pais. Não falo em impor ou se valer da hierarquia dos papeis familiares, mas em entender e respeitar estes papeis, que trafegam em mão dupla de pais para filhos e vice versa. Pois é claro que o exemplo deve partir dos adultos, trocar um noticiário ou uma novela por um jogo em família, perguntar como foi o dia e escutar atentamente a resposta, ser confessor e confidente fiel etc. ressaltam o valor e quem valoriza o presente constroem em bases sólidas o futuro.
É a pesquisa de opinião telefônica, feita por longos três minutos mostrou que 71% dos pais e 87% dos filhos aprovaram a idéia. O resultado era obvio, todos os idiotas optam pelo caminho mais fácil, mas se esquecem que “QUANDO TENTAMOS COMPRAR O AMOR ELE SOBE DE PREÇO” e como em todo mercado, dependendo do momento, da oferta e da procura, ele pode atingir patamares altíssimos ou pior ainda, podemos adotar uma política de preços baixos e aceitar qualquer oferta.
Se tudo que queremos conquistar apenas tem preço, nos tornamos impacientes, com baixa resistência a frustração, capazes de justificar QUALQUER atitude para alcançar nosso objetivo.
A humanidade em que eu e você estamos inseridos, o que está em falta, preço ou valor? O que você deseja, tem preço ou valor? Quando buscamos a felicidade em coisas que tem preço, passamos a ser tratados pelo que custamos e não pelo que valemos e somos levados a pensar que não temos valor, um sintoma ou quem sabe uma síndrome atual.
Deixo dois desafios: 1- Faça uma lista de dez prioridades atuais, em forma decrescente e analise classificando entre “preço e valor” e a posição em que se encontram. 2- Este confesso que requer mais habilidade, mas caso você queira arriscar!. Coloque uma quantia de dinheiro em sua carteira, notas pequenas e grandes. Peça um copo de água a seu filho(a), não responda nada se ele(a) reclamar (eu e você reclamaríamos). Quando chegar com o copo, receba com alegria e afago, se der tempo beba e manifeste como foi bom. Antes que se retire, encene de forma teatral o pagamento de uma conta, não pergunte - quanto é? Mas ofereça a menor nota, deixando ver que há outras e esclarecendo que é pelo serviço prestado. Não se chateie se ele(a) aceitar (eu e você aceitaríamos), pergunte se acha justo o fato e a quantia etc. Pronto, você acaba de criar um momento de grande valor, aproveite para ouvir e se for o caso mudar sem medo.
Lembre-se e ensine a seus filhos que somos imagem e semelhança de um Deus que se fez homem para nos divinizar e morreu por Amor, para nos dar o devido valor, o valor de filhos de Deus.
Ps. Para os 71% de pais, rezemos: Pai perdoa-os eles não sabem o que fazem.  

Prof. Cláudio Ramirez.
Abril / 2008

A Lousa



Ontem à noite tive um sonho, acordei fazendo parte de uma comunidade; segundo o Aurélio “comunidade é um grupo de pessoas submetidas a uma mesma regra”, podendo variar entre: grupo social, econômico, esportivo, lazer, religioso e outros, onde por características comuns a todos os integrantes é possível viver em Comum-Unidade (comunidade).
E como em todo sonho acabei misturando Real, Imaginário e Vontade, entre o que vivemos o que queremos viver e o que se deveria viver.
Neste caso em especial se tratava de uma comunidade religiosa, mas poderia ser qualquer outra, pois o centro do sonho convergia para a vaidade que há em todos nós e influenciado por ser professor a figura da lousa tem o papel de revelar esta vaidade, vou então relatar meu sonho.
Minha comunidade era grande e se subdividia em pequenos grupos, denominados de pastorais, para realizar com maior eficácia suas funções, os componentes destas pastorais se integravam por afinidade à função por ela exercida, sendo assim cada pessoa tinha total liberdade para conhecer as diferentes funções e poder escolher com alegria a forma de contribuir na comunidade. Sabendo-se que o trabalho de todos os grupos, deve ser neste caso no sentido de provocar e produzir AMOR. Devemos também considerar que tem um grande numero de participantes da comunidade, que ainda não se sente provocada a participar destas pastorais, os motivos podem ser muitos, mas certamente um deles, é que cada pastoral é muitas vezes ineficiente em comunicar de forma concreta suas ações.
Pensando nisso uma pastoral pediu ao padre para colocar uma lousa, onde colocariam de forma clara seus comunicados e ações, o padre aceitou e a lousa foi colocada em local apropriado e aquela ação gerou por um período bons resultados. Outras pastorais, não querendo ficar para traz criaram suas formas de visualização (cartazes, panfletos, jornais, projeções, encontros, etc.) e também estas ações por algum tempo geraram bons resultados.
Tendo sentido que estes movimentos geravam resultado, mas que por um impulso humano, também gerou uma espécie de competição entre os grupos, que provocou alguns exageros da parte dos mais usados, que deixaram de lado as regras de bem comum e a indignação de alguns membros mais antigos que utilizavam sempre o mesmo argumento “estou aqui a x anos e sempre foi assim” o padre optou por padronizar o formato, material e cor da louça, pensando em valorizar o conteúdo (sabemos que isso limita a criatividade, que só o conteúdo sem a forma adequada tem uma projeção limitada), mas foi o que poderia ser feito nesse momento (na visão do padre).
Então os egos e vaidades que vinham sendo alimentados e agora limitados provocaram a mesma reação que tirar um brinquedo de uma criança, “não brinco mais” e pudemos ver adultos fazendo biquinho, lagrimas, sentimentos de vingança, demonstrações de poder, acusações e vitimas e o padre que um dia foi amado podia sentir o gosto de vinagre e fel que antecedia sua crucificação. Alguns resistiram outros não e há aqueles que sempre tiram proveito das crises mediando sempre, para ficar pero daqueles que acreditam ter mais forças, mas se escondem em suas sombras ou não descem do muro.
Uma vês passada a crise chegou a hora de trabalhar nas novas lousas e então cada pastoral criou regras para escrever na lousa:
·       Só podem escrever aqueles que tenham letra espetacular.
·       Só podem escrever os que tenham português correto.
·       Só podem escrever os que estudem teologia.
·       Só podem escrever casais com filhos.
·       Só podem escrever os que entendem a palavra de Deus.
·       Só podem escrever os que sabem latim ou italiano.
·       Só podem escrever os que tiveram uma experiência pessoal com Deus.
·       Só podem escrever os que estão a x anos na comunidade.
·       Só podem escrever os que têm titulo universitário.
·       Só podem escrever os...................... (e muitas outras regras que ao invés de somar talentos, limitava a participação apenas a alguns poucos).

Foi quando acordei e infelizmente não pude ver escrito a única regra importante:
  • Só podem escrever aqueles que estão dispostos a AMAR.

Um dia compreenderemos que o amor tem conteúdo e forma, e que só pode ser multiplicado quando dividido.



Prof Cláudio Ramirez. 
dezembro de 07

Bem me quer? Mau me quer!



Branco, apenas vejo branco, enquanto puxo cada pétala da margarida, que não tem culpa, mas paga com sua vida, minha falta de valor, que é capaz de destruir a beleza, só para afirmar um ego que se protege numa brincadeira com cara de jogo de azar, onde a única que perde é a margarida, que tem que responder aquilo que espero, pois caso o ego não ficar satisfeito haverá outra vítima e outra e mais outra, até saciar a fome da fera que habita em mim.
Disfarço dizendo que é apenas uma brincadeira de criança, mas não convenço nem a mim nem a margarida, então falo para ela que é assim mesmo, que uns tem que sofrer para a felicidade de outros, e me torno um Robin Hood emocional, que rouba dos ricos para dar aos pobres, e então percebo a riqueza da margarida perto da minha pobreza, e num lampejo descubro que roubar-lhe a riqueza não me deixa menos pobre, mas contemplar sua beleza enriquece meu ser e me faz sentir amado por Deus.

Jun/2008
Cláudio A.G. Ramirez